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Mais um Buzz do Google. Deu Certo?

14/02/2010

Antes de começar a ler esse post, passe pelo Blog do Alexandre Oliva. Leia cuidadosamente esse post, lembrando-se de seguir todos os links.

Leu o post dele? Bom, como vocês se lembram, eu já havia escrito sobre os perigos do Google, principalmente na era da tão falada computação em nuvem. Clique aqui para ler o post novamente. Casos como o do Oliva me fazem ter certeza que a nuvem que nos aguarda num futuro sem Desktop está bastante carregada, e muitas chuvas e trovoadas nos esperam no caminho. Antes de opinar sobre o que é certo e errado, responda à seguinte pergunta: o que aconteceria com você se nunca mais pudesse acessar os dados que confiou ao Amigoogle? Esqueça a sua opinião sobre as paranóias, apenas pense um pouco sobre o assunto. E se eles sumissem? O que aconteceria com a sua vida?

Como já disse em outro post, também não sou dos mais preocupados com a questão da privacidade, e como também lembrou o Oliva, não me importei quando o Amigoogle me disse que poderia ler os meus dados. Sou um ser que não está 100% conectado em termos de privacidade, apesar de adimitir que com um pouco de inteligência em cima dos meus dados alguém com más intenções poderia fazer um relativo estrago na minha vida. Mas se trata de um risco que eu me disponho a correr, pelo menos por enquanto.

A questão que vem à tona a respeito do Buzz do Google, pelo menos em uma primeira análise, não é tanto a questão da privacidade. O que mais me chamou a atenção é que o Google cada vez mais me parece um caminhão carregado descendo a ladeira em alta velocidade: está simplesmente atropelando a tudo e a todos, sem se preocupar muito em olhar para os lados. A despeito de tratar-se de uma nova tentativa de esmagar um concorrente (o Nerdson também sacou), me impressiona como eles utilizam a integração como bandeira e os seus contatos como arma. Sim, acabam sendo uma arma, pois se algum dia você mandou ou recebeu uma mensagem de alguém via GMail, essa pessoa se torna um contato. Soma-se o fato de o Orkut conter praticamente todos os seus amigos, pelo menos no Brasil, cada vez que o Google lança uma ferramenta utiliza-se desse poder para disseminá-la entre seus “usuários” sem que eles sequer perecebam.

Não sei o quanto são interessados em estratégia, mas trata-se de uma tática muito comum principalmente para entrar em mercados dominados pela concorrência. O caso do GTalk talvez seja o exemplo mais emblemático. Como todo o mundo tinha Orkut e GMail, a integração com o GTalk foi uma forma de ficarmos mais próximos de nossos amigos, além de ter a grande vantagem de utilizar um protocolo aberto e seguro como o Jabber. Para quem já não aguentava mais a porcaria do MSN, foi como a salvação, e a iniciativa foi muito bem vista pela galera do Software Livre. Afinal, a maior parte das pessoas não sabia do que se tratava o Jabber, e não há como utilizar um mensageiro instantâneo sem que os seus amigos estejam lá com você. Foi o mesmo que a Microsoft fez para embutindo o MSN para matar o ICQ, e outros exemplos da própria Microsoft podem ser encontrados facilmente.

Aliás, o Google parece ter aprendido muito bem a lição, mas com um novo enfoque. Se a Microsoft amarrava as pessoas pelo Sistema Operacional, o Google percebeu que na Internet o que importa é o usuário e sua rede de contatos, e está se valendo disso exatamente da mesma maneira. Não se se você percebeu, mas mesmo sem ter pedido o Buzz lhe foi empurrado goela abaixo, sem água para descer. Eu cliquei não na adesão e ainda assim aparece na minha caixa de entrada um link para o Buzz. Basta eu postar alguma coisa para entrar na onda, mesmo sem ter pedido.

Falando em onda, lembrei do Wave, que já tenho há algum tempo mas não consegui achar uma utilidade prática. Talvez esteja um pouco a frente do seu tempo, e demore um pouco para entender o que vamos fazer com ele. Agora, a pergunta que não quer calar é: Orkut, GMail, Wave, todos eles precisavam de um convite para serem utilizados. Por que o Buzz não precisa, é praticamente enfiado goela abaixo? A resposta me parece um pouco óbvia, mas vou deixar apenas a reflexão aqui. Quem quiser, sinta-se à vontade para responder nos comentários.

O fato é que o Buzz gerou Buzz, ou burburinho como dizemos cá em terras brasileiras, mas será que deu certo? No meu meio a publicidade foi bastante negativa, mas acho que não sirvo de referência. Numa análise superficial, acredito que o twitter sobrevive, mesmo sofrendo um ataque tão desleal, pois existe algo que o Google não pensou quando montou o seu serviço: no caso do twitter, as redes já estão formadas, e não são necessariamente compostas pelos meus contatos. Nunca mandei um e-mail para o Marcelo Tas, e ele certamente nunca mandou pra mim, então o nosso elo no Google inexiste. Já no twitter, faço parte da legião de 56.000 seguidores dele, e um fenômeno assim é difícil de conter. Acho que dessa vez saíram atrás e não vão chegar na frente.

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