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A ideia de uma vida

27/09/2011

Quantas pessoas no mundo são capazes de ter algo de que realmente possam se orgulhar? Quantos foram aqueles capazes de produzir algo que mudou não só a sua vida, mas foi a mola propulsora da vida de muitos outros ao seu redor? Quantos tiveram uma ideia realmente original, se é que ela existe?

Sempre que penso no assunto vêm em minha mente dois exemplos antagônicos: Thomas Edison e John Nash. O primeiro talvez tenha sido o primeiro engenheiro de verdade, como meu professor dizia na Engenharia Elétrica, e suas palavaras até hoje ecoam na minha mente:

Engenharia é resolver problemas e, mais importante, conseguir vender a solução. Thomas Edison conseguiu substituir um sistema que funcionava muito bem (iluminação a gás) por outro que iluminava menos e era mais caro.

Pode parecer absurdo dizer que o sistema elétrico é pior que o sistema a gás, mas na época era uma grande verdade. O que Edison conseguiu vender foi a ideia de algo que seria melhor no futuro, quase sempre um objetivo muito difícil. Deixando a parte vendedora de lado, o ponto antagônico em relação a John Nash é que Edison nunca se preocupou em construir nada exatamente original: simplesmente pegou outras ideias e as adaptou. Na verdade muitos dizem que ele roubou a genialidade de Tesla através de uma falsa promessa de dinheiro.

Ter roubado ou não a ideia não o torna menos importante, apenas revela seu lado empreendedor, mas que certamente não bebia na fonte da originalidade. Muitos dizem que ele foi o maior inventor da história da humanidade, com mais de 100 patentes registradas nos EUA.

Já a história de John Nash, muito bem retratada no imperdível filme Uma Mente Brilhante (A Beautiful Mind), fala da busca quase obsessiva de um gênico da Matemática por sua única e original e ideia. O brilhantismo de Nash se retratava na forma com a qual ele lidava com o cálculo de probabilidades, sendo um dos principais expoentes da criptografia moderna e do pensamento lógico em si.

O filme retrata de maneira brilhante o processo criativo que levou Nash à sua teoria quase como uma epifania. Todo pesquisador sabe que nem sempre a criação é um momento tão poético, mas o ponto importante é que a solução do problema pairava em sua frente, quase que esperando para ser agarrada. Quando o momento chega, o autor é levado a um misto de loucura e emoção. Exageros dramáticos à parte, a Teoria dos Jogos é bem real e rendeu a ele um Prêmio Nobel.

Nunca tive uma epifania, e seria um exagero absurdo de minha parte dizer que tive uma ideia que vai mudar a humanidade. Mesmo que fosse capaz de tamanho trabalho autoral, sei que o reconhecimento dificilmente viria em vida, pois mudanças radicais que sempre acompanham ideias inovadoras levam mais de uma vida para serem compreendidas. Planck morreu tendo certeza que suas contas estavam erradas, e sua descoberta do fóton foi fundamental para que Einstein pudesse escrever o que conhecemos como Física Quântica. Mesmo tendo sido um físico brilhante, a glória de sua descoberta nunca lhe chegou em vida, como acontece na maior parte dos casos.

Contudo, voltando aos casos estudados inicialmente, o que aconteceu com os cientistas geniais após terem suas grandes ideias? É de se imaginar que uma ideia como a de Edison e sua consequente venda na cidade de Nova Iorque fosse suficiente para uma vida. Quantas pessoas conseguiram ter uma contribuição tão relevante para a humanidade? Ainda assim ele não parou, tendo registrado mais de uma centena de patentes após a lâmpada.

Josh Nash, que adoeceu após escrever sua teoria, conseguiu um lugar relevante no exército americano e se tornou um professor renomado. Contudo, nunca mais teve uma ideia similar em termos de genialidade. Seria possível ter uma ideia melhor do que uma vencedora do Prêmio Nobel? Será que existe algum cientista que ganhou mais de uma vez? Se alguém souber complete nos comentários.

O fato é que dificilmente teremos certeza de que a atual ideia é a melhor que possivelmente teremos, pois somos incapazes (ainda) de prever o futuro. Todavia, sabemos que mentes brilhantes precisam de exercício, pois o cérebro afinal é um músculo. Ter uma grande ideia não significa dizer que não precisaremos de outra, pois sempre é necessário continuar buscando a próxima descoberta, o próximo passo.

Na sociedade da informação marcada pelo alto desenvolvimento tecnológico o caráter inovador das ideias é realmente muito importante. Já escrevi aqui no blog sobre Bill Gates, que disse temer mais um garoto em uma garagem qualquer no Vale do Silício do que qualquer uma das empresas concorrentes. Vou um pouco mais além, como também já escrevi por aqui, ao afirmar que em tecnologia o que acontece hoje não tem a menor importância. As empresas e governos estão sempre olhando para o futuro, pois sabem que a qualquer momento uma nova ideia pode surgir e “tomar de assalto” o mundo como conhecemos.

Se você tivesse inventado o algoritmo de PageRank e criado o Google, o que faria? Sem dúvida melhorias no algoritmo de busca são bem-vindas, e tem sido uma busca constante na empresa para trazer melhores resultados. Mas será que só isso é suficiente? Fosse você o dono da empresa continuaria desenvolvendo a busca para atingir o estado-da-arte ou abriria mão de tudo para buscar novas ideias, novos negócios e novas tecnologias?

Um Edison e um John Nash não nascem todos os dias, mas será que é possível nascer um novo Google? Ou uma nova IBM? Uma nova Microsoft talvez? E, por que não, um novo Linus Torvalds?

Afinal, quando saber a hora de sair de cena e buscar algo completamente novo?

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One Comment leave one →
  1. Marcelo permalink
    19/05/2013 23:07

    Grande texto.

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