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Software Livre para não iniciados (ou iniciantes)

18/08/2011

Muito tempo sem atualizar o blog. Talvez trabalhando demais ou simplesmente sem inspiração, mas deixemos de justificativas e vamos ao que interessa. Estava tendo mais uma daquelas inacreditáveis conversas (acho que começou aqui, e na nova interface do twitter é possível visualizar todas as respostas) sobre os mesmos argumentos de sempre sobre o Software Livre e foi me dando um preguiça monstra de explicar tudo novamente. Pensei em enviar um link para o rapaz e pedir para ele ler minhas opiniões, mas percebi que ainda não tenho nenhum post sobre as bases e os fundamentos do Software Livre. Ou seja: por que eu apoio o Software Livre e por que os argumentos de sempre estão errados?

Decidi então, apesar de já ter escrito milhares de coisas sobre o tema, tentar compilar os fundamentos em um único post de blog para evitar repetir a mesma coisa todas as vezes em que for bombardeado com as mesmas questões. Comecemos então pela lista de argumentos mais utilizados pelos que nos criticam.

Software Livre não é para o usuário final

A primeira coisa que me incomoda nesse argumento é ver como agimos como nossos próprios agentes de contra-propaganda, talvez muito alimentados pela nossa amada e querida Microsoft. A maior parte das pessoas (pra não dizer todo o mundo) quando ouve falar em Software Livre logo pensa em Sistema Operacional e Linux. Não vale a pena entrar em detalhes técnicos, como o fato de ser possível reproduzir a interface visual do Windows no Linux, mas é importante ressaltarmos o fato de que o Sistema Operacional tem cada vez menos importância.

Claro que, lembrando da guerra dos navegadores, uma empresa pode utilizar seu SO como ferramenta para distribuição de serviços agregados (que o digam a Apple e seu iTunes). Contudo, não dá para negar que o futuro é a nuvem, por mais que eu não goste disso. O que quase todos os usuários de computador fazem ao ligá-lo é abrir o navegador e acessar seus serviços na nuvem, principalmente o e-mail e o Google. Não é possível negar a importância de suítes de produtividade de escritório (ou Offices e BrOffices da vida), mas tirando os jogos, não há mais muito o que fazer em seu computador pessoal.

Pensando como usuário final, qual é o software mais importante de seu Sistema Operacional? Nunca fiz uma pesquisa mais profunda sobre o tema, mas não tenho dúvida de que se trata do navegador. Dê uma olhada aqui e veja como a Microsoft demorou para enxergar a importância da Internet, e perdeu o bonde da inovação. Na área de Tecnologias da Informação e Comunicação, o que está acontecendo hoje não tem praticamente nenhuma importância estratégica, pois negócios inteiros podem ser engolidos e novos gigantes criados da noite para o dia. Vou repetir: o Google existe somente desde 1998. Parece pouco para construir um império? Pergunte ao presidente do Peixe Urbano, que iniciou suas atividades há pouco mais de um ano. Quem trabalha com tecnologia está sempre de olho nas próximas ideias e, principalmente, nos próximos negócios. É impossível pensar em algum negócio de tecnologia para o futuro que não esteja relacionado de alguma maneira com a Internet.

Em praticamente todas as pontas do ecossistema da Internet o Software Livre está presente. O GNU/Linux já é o sistema operacional de longe mais usado nos servidores que hospedam os serviços de Internet. Exceção feita ao Internet Explorer (há controvérsias que podem ser vistas aqui) quase todos os outros navegadores mais usados são baseados em Softwares Livres. A própria Apple e seu Safari utilizam uma engine livre, curiosamente a mesma que é utilizada no Chrome do Google. Sem mencionar é claro a enorme popularidade do Firefox, que foi o primeiro exemplo bem sucedido de abertura de código por uma grande empresa, já que é derivado do espólio do antigo Netscape. Não vale nem a pena mencionar os servidores Web, responsáveis por enviar o conteúdo ao usuário, onde o Apache domina com folga.

Em resumo, se você acessa a Internet já está utilizando Software Livre e não sabe.

Software Livre não é seguro pois permite o acesso ao código-fonte

Pode parecer mentira, mas tem gente que acredita seriamente nisso. Uma respeitável empresa de certificação considera falha de segurança seu sistema ter a documentação disponível e permitir acesso ao código-fonte.

Sem dúvida esse é o argumento que mais me incomoda (pra não dizer que me deixa profundamente irritado) e se torna difícil até falar do assunto sem pensar em algumas palvaras um pouco mais “ríspidas”. Deixemos o mimimi de lado e vamos aos fatos:

  1. Os Sistemas Operacionais mais seguros do mundo são os que chamamos de BSD-like, que têm por característica principal aceitar em seu núcleo APENAS contribuições livres. Somente quatro falhas de segurança reportadas em mais de vinte anos. É importante que ressaltar que falhas de segurança são erros no desenvolvimento do Sistema Operacional que podem ser explorados sem a intervenção do usuário. Se você não entendeu o que eu quis dizer, clique aqui urgente. E pare de encher o saco dos outros por causa de seus erros.
  2. Se o seu código contém um erro que pode ser enxergado por alguém ao realizar a leitura do código, seguramente ocorreu falha no desenvolvimento. Isso acontece em Softwares Livres? É claro que sim, softwares são escritos por humanos. Contudo, um erro descoberto num Projeto de Software Livre é corrigido assim que descoberto, além de ser possível à própria pessoa que detectou o problema corrigi-lo imediatamente; não é necessário esperar pela boa vontade da empresa em lançar o próximo Service Pack. Ainda não entendeu ou não está convencido? Leia o que o Erick Raymond disse aqui: “Libere cedo, libere frequentemente”. Obs.: há problemas também no ecossistema do Software Livre em SO’s que dependem de subscrição, mas não vou abordá-lo aqui. Leia o que há na Internet e tire suas próprias conclusões. Deixo esse e esse link para aguçar a imaginação.
  3. O argumento certamente é uma estratégia de FUD, provavelmente difundido pelos maiores interessados no assunto. Contudo, respirando fundo para tratar do assunto, os procedimentos de checagem de segurança são antigos e tratados por empresas que têm por padrão processos muito engessados. Inserir um requisito de segurança é fácil em qualquer processo de certificação, mas retirar é extremamente difícil. Já recebi em minhas mãos um relatório que apontava possíveis falhas no IIS sendo que o servidor que eu utilizava era o AOLServer. Disse para o profissional da empresa de segurança que o relatório estava estranho, pois apontava falhas de outro software. Ele me explicou que essa checagem era a padrão e era mais fácil ele escrever um “ignorar falha” no relatório do que alterar o procedimento de verificação. Como discutir com tais argumentos? Aqui temos claro que alguns procedimentos de segurança devem ser ignorados por não fazerem sentido. Certamente é o caso do código-fonte acessível e documentado.
  4. Algumas empresas utilizam a tática da segurança por obscuridade, ou a popular “sujeira embaixo do tapete”. Existe um erro no código, eles sabem do problema, mas não podem resolvê-lo agora pois não perder a data de lançamento é mais importante. Muitas vezes se trata de um problema tão difícil de reproduzir e consequentemente tão improvável de ser descoberto que simplesmente não vale a pena. E fica lá até que alguém o descubra e faça alguma coisa. Quando o código do Windows vazou muita gente ficou assustada como se suas vidas estivessem em perigo, e nada de fato aconteceu.

Se o Software é livre ninguém paga por ele

É possível achar muitos posts sobre o assunto no blog sobre o tema, mas é importante ressaltar que Software Livre NÃO É Software Grátis. Dê uma olhada nesse post e entenda os diferentes modelos de licenciamento.

Conclusão

Existem muitos outros argumentos que podem ser e já são utilizados para denegrir a imagem do Software Livre e as justificativas pelas quais essa ou aquela pessoa não usa. Na maior parte dos casos a culpa é nossa, como uma vez me lembrou meu amigo Thomaz ao me alertar sobre minha mania de mostrar tudo no terminal do Linux.

Por fim, pode ser que existem alguns outros argumentos tão utilizados quanto esses que eu não me lembrei. Se você tem alguma outra restrição que eu não abordei, coloque nos comentários que vou tentar responder. Se quiser adicionar algum argumento que eu não lembrei, por favor, faça isso. Só não deixe os boatos se espalharem ainda mais.

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