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Ning mostra suas cartas. Quem será o próximo?

16/04/2010

Sim senhores, foi com um pouco de satisfação e insatisfação que recebi a notícia de que o Ning deixaria de ser grátis. Satisfação de perceber que eu estava certo aqui e aqui. Insatisfação pelo mesmo motivo. O futuro que nos aguarda é sombrio.

O novo (ou velho, isso não entendi muito bem) Presidente fez o óbvio: analisou as contas da empresa e chegou à conclusão que o serviço que dava lucro era o pago, ou premium, como está na moda. Viu que as redes gratuitas demandavam muito tempo dos seus desenvolvedores e o resultado era muito pequeno, então ele decidiu acabar com a parte que não dava lucro.

O maior perigo aqui é o precedente que foi aberto. Como não me canso de dizer, empresas privadas têm como objetivo central o lucro, caso contrário deixariam de ser empresas e tornariam-se outras coisas. Para realizar o objetivo da empresa, o Presidente tem que maximizar o lucro sempre que possível, usando todas as táticas que lhe forem possíveis. Não muito raro, algumas empresas utilizam-se até mesmo de táticas ilegais (Sr. Bill Gates que o diga) na ânsia de atingir seu objetivo principal.

Há uma imagem em empresas como Google (de novo ele) e Facebook de que são empresas “do bem”, ou seja, que procuram nunca fazer o mau para as pessoas. Mas a pergunta que sempre faço é: fazer o bem para quem? Seus usuários ou seus acionistas?

O fenômeno que acontece em redes sociais privadas é muito mais preocupante do que o famoso vendor lock-in, tática já seguida por quase todas as grandes empresas de tecnologia, de tornar o usuário tão dependente de seus produtos que ele não tem como sair. Quando falamos de redes, não se trata apenas da operação, mas sim de toda a inteligência de uma empresa que está aprisionada ao fornecedor, de uma maneira que ele se torna literalmente dono da informação. Mais até do que os próprios clientes.

O que temos que ficar de olho agora é nos desdobramentos. A empresa promete fornecer a possibilidade para todas as redes que quiserem sair do Ning. Mas eu pergunto: como será essa saída? O Ning vai fornecer um backup da base de dados? Um arquivo .txt com as informações (me parece mais provável)? Ou não vai simplesmente fazer nada, vai apenas dar um tempo para que cada um produza seu ambiente (acho bem possível)?

Não se trata de um run to the hills explícito ainda, mas é algo a se preocupar. E se o facebook tomar a mesma atitude? E principalmente o nosso Amigoogle?

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3 Comentários leave one →
  1. Marcos Maciel permalink
    19/04/2010 11:52

    Esta iniciativa do Ning pegou todo mundo de surpresa, e deixa a dúvida no ar: a economia FREE (já) está em crise? Agora que já fomos “mal-acostumados”, estamos dispostos a pagar pela qualidade que tínhamos gratuitamente?

  2. Eduardo Santos permalink
    19/04/2010 12:26

    Como eu disse no post, a iniciativa do Ning não me pegou de surpresa. Acho até que outras empresas deve seguir o mesmo rumo, principalmente porque o ciclo virtuoso (há controvérsias) que permitia a manutenção de serviços que não davam lucro esfriou bastante com a crise, considerando que há menos de cinco anos já tinha acontecido o estouro da bolha. O capital especulativo já não gera mais os mesmos recursos para as empresas se manterem, com raras exceções. Um delas, claro, nosso Amigoogle.

    Mas o Google não é o único: ele simplesmente foi o primeiro a entrar no mundo da Internet, logo, o primeiro a ser cobrado por resultados. Por consequência, teve que dar lucro antes dos outros. Claro, fruto também da genialidade de seus funcionários, principalmente seu homem dos negócios, que foi professor dos fundadores e depois contratado por eles para fazer a empresa dar lucro.

    A economia Free, tal qual pregada por Chris Andersen, já dá sinais de esgotamento sim. Para seu funcionamento, os serviços premium teriam que dar lucro suficiente para manter os outros usuários, o que já não é verdade em muitos negócios. A preocupação agora é: o que acontece com todos os dados que fornecemos a essas empresas, acreditando no mundo livre e maravilhoso onde tudo era grátis?

    Esse vai acabar virando assunto para um outro post.

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