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Direto de Assunção

25/09/2009

Hoje estou blogando diretamente de Assunción, capital del Paraguay. Da mesma maneira que aconteceu quando fui a Cuba, a ida a um país irmão e vizinho me trouxe algumas reflexões que acho importante compartilhar com todo mundo.

A primeira e mais importante de todas diz respeito ao povo do Paraguay. É impressionante como eles nos amam e nos consideram irmãos. Imaginei ao viajar para lá que, devido à guerra, eles guardassem algum tipo de ressentimento. Afinal, quase que dizimamos a população masculina do país, e acabamos com a economia daquele que era o país mais avançado da América do Sul. Contudo, para minha supresa, eles não gostam mesmo é dos argetinos.

É quase consenso na América do Sul, pelo menos com as pessoas dos países que falei até hoje, que os argentinos são arrogantes. No caso do Brasil, acho um preconceito totalmente sem fundamento, pois pude presenciar o verdadeiro amor que eles têm por nós. Já no caso dos paraguaios, está tudo relacionado ao fato de se acharem melhores. De acordo com eles (os paraguaios), na Argentina acham que estão na Europa, e por isso são mais civilizados que os outros. Eles estão se  divertindo, assim como a maior parte de nós, com a possibilidade de a Argentina ficar fora da Copa. Sim, no Paraguay são todos fanáticos por futebol.

A outra impressão que tive foi a queda de um mito. Não consegui encontrar eletrônicos para vender por um preço acessível, talvez pelo fato de estar em Assunção. Mas se tivesse mais tempo talvez pudesse ter localizado algumas das galerias que tanto falam. Decidi que era mais importante conhecer a cidade e fiz o roteiro que está nesse site. Tive a sorte de ficar num hotel muito perto do Centro (Hotel Cecilia) e fiz todo o roteiro a pé. Como o roteiro não era tão grande assim, foi possível cumpri-lo num final de tarde.

A cidade de Asunción revela logo suas principais caracteríticas: realmente pobre, acolhedora e feliz. Os maiores prédios e atrações da cidade são do Governo, e fora isso não há muito mais para ver. As tão faladas galerias com artigos eletrônicos, que estão no imaginário de todo brasileiro, ou não existem em Asunción ou não consegui encontrar. Mas com certeza não estão no roteiro turístico tradicional. Se vê muito pobreza nas ruas, mas fiquei ainda mais impressionado com a quantidade de crianças e policiais. A menos de 500m do Palácio de Gobierno, sede do poder Executivo, há uma enorme favela (sim, eles também chamam de favela), mas sua entrada fica em frente à sede da Polícia. Assim, apesar de ver muitas pessoas pobres, não vi nenhuma violência.

De uma forma geral, pude perceber o poder que algumas escolhas têm no futuro de uma nação. Por exemplo: o Paraguay não tem indústria nacional, quase tudo é importado. Muita gente reclama dos altos impostos no Brasil, e com razão seguramente, mas será que a defesa da indústria nacional não foi algo positivo? Há quem defenda inclusive que o governo deveria ter feito com os carros o mesmo que fez com os aviões, incentivando a criação de uma potência automobilística brasileira, como existe na Coréia, por exemplo. O que sei é que no Paraguay não há carros nacionais, e as pessoas quase não trocam de carro. Tem-se que fazer um financiamento em dólares para comprar um carro, o que é muito difícil de conseguir na maior parte dos lugares. Assim, as pessoas ficam muitos anos com o mesmo carro.

O que me chamou também a atenção foi a quantidade de produtos de segunda linha. Apesar de os impostos serem reduzidos e permitirem a compra de produtos bons e baratos, o que se vê em geral é a proliferação de produtos chineses e coreanos de segunda e até terceira linha. Os paraguaios não têm dinheiro para comprar os importados melhores, diferentemente do que acontece na Argentina, por exemplo. Assim, quase tudo na cidade é de qualidade inferior, desde os carros, passando pelos eletrônicos, as roupas e até mesmo o material de construção das casas.

Agora, a parte que interessa, o motivo pelo qual viajei até lá: o país está realmente engajado no Projeto Software Público Internacional. Diferentemente do Brasil, onde o Software Livre foi uma bandeira ideológica do Governo, no Paraguay ele surgiu de forma quase natural. Já havia muitos órgãos e iniciativas isoladas, mas o governo entrou, forneceu dinheiro e um caráter institucional à iniciativa. Eles levam o compartilhamento muito a sério, e mais ainda a aliança com o Brasil. Fiquei muito orgulhoso de ver como nossos países podem ajudar uns aos outros, como irmãos mesmo.

Enfim, vou colocar uma fotinha de degustação da reunião que fizemos lá. Depois faço um post mais detalhado com fotos dos locais que visitamos.

De Paraguay 2009
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3 Comentários leave one →
  1. 01/10/2009 03:43

    Pequena correção: a antiga piadaque o melhor negócio do mundo é comprar um argentino pelo preço que ele vale e vendê-lo pelo preço que ele acha que vale, eu ouvi de um mexicano (é mesmo piada ???) . Portanto a arrogância dos porteños ultrapassa a América da Sul e atinge toda a América Latina.

    • Eduardo Santos permalink
      01/10/2009 09:57

      Olá Thadeu,

      Devo concordar que, quanto mais eu viajo, mais encontro pessoas que não gostam dos Argentinos, principalmente nos países da América Latina. Contudo, não gosto desse tipo de xenofobia, principalmente porque fui muito bem tratado em Buenos Aires e pude presenciar que os argentinos realmente nos amam.

      Mas enfim, é a opinião de um contra a maioria.

      Adorei a piada e obrigado pelo comentário.

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  1. Eduardo Santos (eduardosantos) 's status on Friday, 25-Sep-09 14:40:57 UTC - Identi.ca

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