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Inovação Aberta

22/07/2009

Percebemos que uma mudança muito grande está acontecendo quando veículos de comunicação muito tradicionais e com uma linha editorial definida começam a screver sobre um assunto que eles sequer cogitavam anteriormente. Desde o começo do ano sou assinante da HSM Management, uma revista de alta gerência muito falada entre os grandes executivos e que sempre traz matérias muito densas. Assinei numa promoção que trazia ainda todos os volumes do ano passado de brinde.

Tenho notado que a revista veio falando ao longo do ano passado sobre o fenômeno de mudança operado pela Internet. Uma delas tinha o Wikinomics na capa, outra falava bastante do poder do Google, enfim, eles vinham fazendo matérias sobre o assunto. Esse mês foi tema da seção dossiê, uma parte da revista onde eles dedicam mais de 20 páginas, com normalmente 5 ou 6 artigos de gente muito gabaritada falando do assunto. Contudo, a minha supresa ao ler a revista não foi a abordagem tradicionalista, que tenta replicar o modelo de inovação fechada no mundo aberto, mas sim como eles ainda não conseguiram entender o assunto.

O artigo de abertura da seção dossiê, com o título “Uma revolução em marcha”, identifica como quatro os maiores desafios que as empresas têm que enfrentar para conseguir navegar nessa onda, chamada por eles de “cocriação distribuída” (sim, o nome é tosco e não sei de onde eles tiraram isso). As quatro dificuldades são:

  1. Atrair e motivar os cocriadores
  2. Estruturar os problemas da participação
  3. Conceber mecanismos de governança para facilitar a cocriação (que palavra horrível! Por que eles não usaram colaboração)
  4. Manter a qualidade

Os desafios me parecem bem identificados, o que é um bom sinal. Contudo, algumas coisas muito estranhas aparecem no meio da sua construção de argumentos, como quando eles citam o Solaris como um exemplo de desenvolvimento colaborativo. Todos aqueles que usam/desenvolvem Software Livre sabem da mão pesada da Sun sobre seus projetos, que não são nem de longe um exemplo.

Enfim, para quem não conhece o mundo online profundamente, o dossiê é como uma receita de bolo. Mas se compararmos com o que o Walter Longo disse na mesma HSM alguns meses atrás, o nível de entendimento do universo virtual é baixíssimo. O que mais me incomoda nisso tudo é que o foco do artigo é em como conseguir transformar a inovação dos usuários em produto, a ser apropriado de uma empresa. Nenhum desses jornalistas conseguiu absorver o conceito de commons, onde a empresa é apenas mais um elemento da cadeia de construção do objeto de conhecimento comum.

O contraponto é a entrevista de Andreas Weigend, coordenador de marketing da Amazon, considerada nos EUA como uma das empresas que mais consegue transformar inovação em negócio. Uma das coisas mais legais que ele fala é

Um dos modos de atender às novas expectativas é deixar que consumidores ajudem consumidores

Ainda continuo sentindo falta daquilo que não foi dito. E o que não está na revista é:

  • Inovar é muito mais do que gerar ativos intagíveis para a empresa: é aumentar o conhecimento da sociedade como um todo;
  • A parte mais importante da inovação aberta é o exercício da liberdade. Liberdade de escolha, de ação, e principalmente, de expressão;
  • O twitter de uma empresa não é legal quando faz propaganda institucional do seu produto. Isso é apenas transferência de mídia. A empresa do novo milênio é parte do ecossistema em que atua;
  • A empresa não precisa apenas de mais clientes, precisa de mais nós na sua rede, pois assim cada usuário torna-se divulgador do seu produto. A Apple já fez isso na década de 70;
  • Ser aberto não é apenas mostrar o que está vendendo: é inserir o consumidor em toda a cadeia de produção, para que ele possa participar da concepção como um todo.

E o governo? Como seria o governo do novo milênio?

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